
Esta podia ser a história mais banal dos nossos tempos: Katie é uma mulher comum (operária, divorciada, uma filha), que conhece Paco, também ele um homem como tantos outros (operário na mesma fábrica); enamoram-se. Mas o resultado desse amor é digno de nota. Ricky é um bebé invulgar e o elemento chave para a mais ousada narrativa de Ozon, que aqui irrompe pelo realismo mágico adentro. Ricky aparece com duas marcas nas costas e Katie acusa Paco de maltratar o bebé; mas não se tratam de marcas de violência, mas sim do par de asas que lhe estão a crescer. O fenómeno faz as manchetes dos jornais quando Ricky se põe a voar pelo supermercado e pelas ruas. O realizador francês trabalha a história com sensibilidade, valendo-se do humor e do distanciamento sempre que as coisas se tornam demasiado irreais ou bizarras. Um regresso em forma do realizador de O Tempo que Resta e Angel.
Ricky, de François Ozon (França, 2009)





