CINEMA EMERGENTE CURTAS 1
The Yellow Smiley Face, Constantin Popescu, fic., Roménia, 2008, 15’
2 Birds, Runar Runarsson, fic., Islândia, 2008, 15’
Instead of Abracadabra, Patrik Eklund, fic., Suécia, 2008, 22’
Sea Dog’s Devotion, Anna Kalus, anim., Áustria, 2008, 11’
Alasca, Miguel Seabra Lopes, fic., Portugal, 2009, 22’
Next Floor, Denis Villeneuve, fic., 2008, 12’

THE YELLOW SMILEY FACE vem da Roménia. Quem nos acompanha sabe que temos um carinho especial pelo novo cinema romeno. O ano passado foi um dos nossos Heróis Independentes. Desta vez tudo se passa à volta da Internet e das dificuldades de uma geração que cresceu sem ela. Não se preocupem. A senhora romena que aparece em todos os filmes romenos é a actriz principal.
2 BIRDS é tensão onde o filme romeno anterior é comédia. Runar Runarsson não é estreante no festival. Em 2005 por aqui passou outro filme dele que dava pelo nome de The Last Farm. Este é um daqueles filmes que se vê de um só fôlego. Existem muitas formas de crescer. Esta é certamente uma das mais duras. Se sentirem que do ecrã saiem murros aplicados directamente ao vosso estômago ou consciência não é por acaso. Não vos vai deixar indiferentes.
INSTEAD OF ABRACADABRA leva-nos para o mundo da magia. Tomas já não tem idade para viver com os pais. No entanto continua a viver. Tomas parece não ter muito jeito para a magia. No entanto continua a praticá-la, embora de um modo especial. Tomas é uma espécie de anti-herói que entre acidentes, moto-serras, visitas inesperadas ao hospital a meio dos truques e muito, muito humor negro que vos vai divertir imenso.
SEA DOG’S DEVOTION é uma animação diferente. Há aqui um universo muito próprio. Livremente inspirado num poema macabro de Joachim Ringelnatz, navegamos por entre ondas de amor obsessivo. Não faltam a esta animação de Anna Kalus uma imaginação delirante e um conjunto de belas imagens burlescas e góticas.
ALASCA não se passa no Alasca, mas podia passar-se. Este Alasca é um sítio estranho. Um sítio onde parece não haver felicidade. Um sítio onde os gestos se repetem todos os dias. Um sítio onde as feições são duras, as palavras são duras, a vida é dura. Neste sítio apenas se envelhece.
NEXT FLOOR é muito estranho. O universo de Peter Greenway anda aqui por perto. Nos quadros insólitos criados, na opulência carnal, no verdadeiro festim de comida. A acção é gerida com mestria. Tudo acontece no momento certo. Se fosse a vocês certificava-me que estava muito bem sentado na cadeira. Esperemos que as salas do cinema Londres sejam sólidas.
Carlos Ramos