Fotos de Marcos Ramos e Miguel Lopes
Fotos de Paula Paz
Fotos de Márcia Sousa, Marcos Ramos e Paula Paz
Fotos de Paula Paz
A internacionalização do cinema português é uma realidade que cresce e que serviu de mote para mais uma sessão das Lisbon Talks, ontem, de novo na sala 2 do Cinema São Jorge. Se a conversa se foi desviando a espaços para temas como a co-produção e da resultante facilidade de distribuição dos filmes nos circuitos de outros países (mesmo fora dos países de co-produção – é um dado estatístico do Observatório Europeu do Audiovisual), pareceu consensual que os festivais assumem um papel fundamental.
Há o óbvio: os filmes são vistos nos festivais por uma massa heterogénea de gente, que é a forma mais directa de divulgação das obras. Mas há também as consequências: nas plateias estão habitualmente compradores, distribuidores, jornalistas de todo o mundo que, gostando dos filmes, são mais do que capazes de fazer sabê-lo aos seus conterrâneos. Isto é internacionalização e festivais como o IndieLisboa (seis edições) ou o Curtas Vila do Conde (a preparar a 17ª) são centros de disseminação do cinema português, tanto para dentro como para fora do país.
Luís Urbano, produtor de O Som e a Fúria, tem disso boa experiência: Aquele Querido Mês de Agosto, de Miguel Gomes, tem colhido prémios atrás de prémios em festivais (14, ao todo), primeiro em Portugal e depois no estrangeiro. Mas o nome do realizador começou a ser falado por terras alheias muito antes deste filme, logo na estreia, com A Cara que Mereces (2004), mal recebido pela crítica portuguesa e que saltou a fronteira para França com o parecer favorável dos Cahiers du Cinéma e, depois, da Les Inkoruptibles.
Na mesa de ontem estavam três produtores que marcam presença na próxima edição de Cannes, em diferentes secções: além de Luís Urbano, na Quinzaine des Réalisateurs com Canção de Amor e Saúde, de João Nicolau; Maria João Mayer (Filmes do Tejo), com Arena de João Salaviza, em competição; e Maria João Sigalho (Rosa Filmes), com Morrer como um Homem de João Pedro Rodrigues, na secção Un Certain Regard. Nuno Fonseca, representante do Instituto do Cinema e do Audiovisual presente na mesa, não deixou de congratular e sublinhar que, afinal, a selecção de projectos com apoios públicos não será tão obscuro e aleatório como é comum dizer-se.
O ICA tem, lembrou Fonseca e com números para os últimos anos, pensado esta problemática da internacionalização do cinema português e da importância dos festivais, em especial os de renome internacional, na carreira dos filmes. Há uma linha de apoio público dedicada a facilitar esse processo, essas viagens, permitindo que as obras tenham estreias mundiais nas principais praças do cinema. Quem se ressente, como frisou Maria João Sigalho, são os festivais portugueses. Dir-se-ia, popularmente, que a situação é um pau de dois bicos. O que coloca o negócio do cinema ao nível de tudo o resto mundo, com prós e contras.
Fotos de Paula Paz