“Fórum” de Berlim homenageado no IndieLisboa’10

27/01/2010 · 2 Comentários

"Sauve qui peut (la vie)" de Jean-Luc Godard.

A secção “Fórum” do Festival Internacional de Cinema de Berlim completou 40 anos em 2009. Em tributo a este espaço dedicado a realizadores com visões inovadoras sobre o cinema e as suas fronteiras, o IndieLisboa’10 decidiu assinalar este aniversário com uma selecção de filmes que ali marcaram presença ao longo destas quatro décadas e que serão integradas na secção Herói Independente.

Numa iniciativa inédita, 13 realizadores que fazem parte da história do “Fórum” foram convidados a escolher filmes de outros realizadores que tenham contribuído para a importância desta secção, que é a mais arrojada daquele festival alemão.

Alguns cineastas com filmes inseridos no programa virão a Lisboa participar nesta homenagem, que contará, também, com a presença de Christoph Terhechte, o actual director do “Fórum”.

“Fórum” de Berlim em Lisboa

  • “My Childhood”, de Bill Douglas (escolhido por Bradley Rust Gray e So Yong Kim)
  • “My Ain Folk”, de Bill Douglas (escolhido por Bradley Rust Gray e So Yong Kim)
  • “Sauve qui peut (la vie)”, de Jean-Luc Godard (escolhido por Angela Shanelec)
  • “D’Est”, de Chantal Akerman (escolhido por Avi Mograbi)
  • “So Is This”, de Michael Snow (escolhido por Sharon Lockart)
  • “Baara”, de Souleimane Cissé (escolhido por Jean-Marie Téno)
  • “Seven Songs from the Tundra”, de Markku Lehmuskallio e Anastasia Lapsui (escolhido por Ulrike Ottinger)
  • “Nô”, de Sharon Lockhart (escolhido por Anja Salomonowitz)
  • “Beau Travail”, de Claire Denis (escolhido por Anja Salomonowitz)
  • “Kasaba”, de Nuri Bilge Ceylan (escolhido por Jia Zhangke)
  • “George Washington”, de David Gordon Green (escolhido por Aditya Assarat)
  • “Die allseitig reduziert Personlichkeit”, de Helke Sander (escolhido por Ulrich Kohler)
  • “The Matchfactory Girl”, de Aki Kaurismaki (escolhido por Jasmilla Zbanic)
  • “Der zynische Korper”, de Heinz Emigholz (escolhido pelo próprio)

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Heddy Honigmann homenageada no IndieLisboa’10

27/01/2010 · Deixe um Comentário

Heddy Honigmann é uma das maiores figuras do cinema documental no activo. Apesar dos seus filmes nunca terem sido exibidos comercialmente em Portugal, bastou a presença de alguns deles em festivais de cinema (como “Forever” e “El Olvido” em edições anteriores do IndieLisboa) e esporádicas exibições na televisão pública para fazer nascer este interesse também junto dos espectadores portugueses. O seu filme “Forever” foi, inclusivamente, o vencedor do Prémio do Público no IndieLisboa 2007.

Com o objectivo de contribuir para uma maior divulgação do seu trabalho em Portugal, o IndieLisboa’10 decidiu homenagear esta realizadora com uma retrospectiva integral da sua obra inserida na secção Herói Independente.

Heddy Honigmann virá a Lisboa para apresentar e debater os seus filmes com o público, e também para conduzir uma masterclass sobre o seu trabalho.

Retrospectiva Heddy Honigmann

  • “Mind Shadows” (ficção)
  • “Au Revoir” (ficção)
  • “Metal and Melancholy” (documentário)
  • “O Amor Natural” (documentário)
  • “The Underground Orchestra” (documentário)
  • “2 Minutes, Silence” (documentário)
  • “Crazy” (documentário)
  • “Private” (documentário)
  • “Good Husband, Dear Son” (documentário)
  • “Dame la Mano” (documentário)
  • “Forever” (documentário)
  • “El Olvido” (documentário)
  • “Food for Love” (série televisiva; episódios “A Shtetl that’s no Longer There”, “Saudade” e “Recipe for Reconciliation”)

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Culturgest é parceira do IndieLisboa em 2010

27/01/2010 · Deixe um Comentário

Além do Cinema São Jorge, Cinema Londres e Cinema City Classic Alvalade, a edição deste ano do IndieLisboa estará também na Culturgest.

O Festival juntará, deste modo, mais dois ecrãs de cinema aos seis já conhecidos, contando agora com o Grande Auditório da Culturgest, com capacidade para 652 lugares e o Pequeno Auditório, com capacidade para 149 lugares.

Juntando-se, assim, à EGEAC, a Culturgest será co-produtora do 7º Festival Internacional de Cinema Independente.

O IndieLisboa’10 conta ainda com o apoio institucional do MC – Ministério da Cultura, do ICA – Instituto do Cinema e do Audiovisual e da CML – Câmara Municipal de Lisboa.

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RTP2 atribui novo Prémio no IndieLisboa’10

27/01/2010 · Deixe um Comentário

A RTP2, Televisão Oficial do IndieLisboa’10, irá atribuir um prémio ao filme vencedor da secção “Pulsar do Mundo” que, desta forma, passa a ter carácter competitivo. Esta distinção, no valor de 5.000 euros, será consubstanciada na aquisição dos direitos de transmissão televisiva do filme vencedor. O júri, composto por três elementos, será anunciado brevemente.

O “Pulsar do Mundo” é composto por curtas e longas metragens que lidam com questões relevantes da actualidade mundial. Em 2010, o filme vencedor desta secção será transmitido pela RTP2.

Televisão Oficial do IndieLisboa desde a edição de 2008, a RTP reforça a sua ligação ao festival para a edição de 2010 através de uma série de iniciativas, cuja face mais visível é a atribuição deste prémio. Apesar de ter tido o estatuto de Televisão Oficial apenas nas duas últimas edições, a relação entre o IndieLisboa e a RTP remonta a 2006, com o Prémio RTP2 ONDA CURTA que continua anualmente a distinguir curtas metragens integradas nas secções Competição Internacional e Cinema Emergente.

A 7ª edição do IndieLisboa, que se realiza de 22 de Abril a 2 de Maio de 2010, conta já com dois novos prémios – o Prémio RTP/Pulsar do Mundo e o Prémio SIGNIS – ampliando assim o palmarés do festival.

Imagem: L’encerclement de Richard Brouillette, integrou a secção Pulsar do Mundo e foi o vencedor do Prémio do Público Johnnie Walker para melhor longa metragem no IndieLisboa’09

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Masterclass de Brillante Mendoza em fotogramas

22/01/2010 · Deixe um Comentário

22 de Janeiro de 2010

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Estar de fora e olhar para dentro ou estar dentro e olhar para fora?

20/01/2010 · Deixe um Comentário

«Em “Kinatay”, a abordagem “verista” aventura-se em terreno novo: o do filme de terror. E lembra-nos incidentalmente que o primeiro nome de Mendoza [com que assinava os seus primeiros trabalhos em publicidade] era Dante. O filme começa de forma bastante tranquila, enquanto seguimos Peping [nome que poderá ter sido inspirado pela semelhança fonética com Peeping Tom, significando voyeur em inglês], um recém-casado e aspirante a polícia que estuda criminologia. A câmara ao ombro de Mendoza agarra com urgência a vitalidade ambiente sob todos os ângulos: há o casamento civil, burocrático e um pouco confuso; as aulas dos futuros polícias bastante indisciplinados; há sobretudo a banda sonora, característica do cineasta, um manto de cacofonia cheio de berros e de automóveis. Uma vida precária, caótica mas efervescente, luminosa. Peping pensa sobretudo em alimentar a sua família e não pestaneja quando o professor lhe pergunta: ‘Para investigar um crime, é melhor estar de fora e olhar para dentro, ou estar dentro e olhar para fora?’ Uma questão prática que vai determinar o caminho de “Kinatay” na encenação e nas angústias morais de Peping. Um amigo propõe-lhe um trabalho bem pago: acompanhar um grupo de polícias que vai “punir” Madonna, uma prostituta viciada em drogas. Segue-se o rapto da vítima e uma longa volta de carrinha, filmada em HD numa semi-obscuridade lodosa, raiada pelos olhares inquietos de Peping, pelas súplicas de Madonna e uma banda sonora por vezes musical, industrial, metálica. (…)“Kinatay” – que significa “carnificina” em filipino – será um esventramento literal e uma lição das trevas, culminando na violação colectiva e no massacre de Madonna. Desenrola-se o inferno, servido pelo tempo real “mendoziano”. (…)Mendoza diz que “a obsessão pela sobrevivência” define em parte os filipinos: o cineasta sublinha este traço e o preço a pagar por isso carrega uma violência extraordinária.(…) Mas o que atinge é menos o moralismo do que a trivialidade do massacre, que os polícias vão diluir numa malga de massa que devoram de madrugada, e que Peping aceita com os olhos fora de órbita. Mendoza assinou talvez o melhor filme de terror do ano, com poucos meios e um olhar abrasivo sobre o real. À questão do professor de criminologia, sim, podemos estar dentro e fora do crime: é a resposta gélida do cineasta à desumanização, nas Filipinas ou onde quer que seja.»

Léo Soesanto, Les Inrockuptibles, Nov. 2009

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Brillante Mendoza fala sobre “Kinatay”

20/01/2010 · Deixe um Comentário

Quero que os espectadores sintam o horror dentro da cabeça do meu personagem. Quero que o sigam de perto, que observem e pensem, e se sintam realmente perturbados.”

Brillante Mendoza

Prémios
Prémio Melhor Realizador e Nomeação para a Palma de Ouro, Festival de Cannes, 2009
Prémio Melhor Realizador, Prémio Melhor Banda Sonora Original e Nomeação para Melhor Filme, Sitges – Festival Internacional de Cinema Fantàstic de Catalunya, 2009

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A câmara alerta de Mendoza

19/01/2010 · Deixe um Comentário

«Como em John John (2007), a câmara alerta de Mendoza ladeia as paredes de um labirinto imaginário que se erguem perante os passos de cada uma das personagens, impacientes, à procura de uma porta de saída. Sempre na retaguarda, às vezes com atraso, a câmara vai no encalço dos tacteares e das hesitações da comunidade. (…) Estados de alma e cismas por conflitos de interesse familiares, topografia mental, eis precisamente o que projectam estes percursos tortuosos sobre os quais se instala a câmara. Mendoza serve-se do décor como um realizador de filmes de género faria, para espacializar o que de outra forma seria psicológico. (…) É um cineasta doce cuja câmara desliza sobre as transgressões das personagens, como se nada fosse. (…) Para fechar o filme, graças a efeitos especiais muito eficazes, Mendoza queima a sua película. Atribui assim uma materialização momentânea e ilusória às sombras que se encostam às paredes e que vagueiam entre os assentos da sala de cinema.»

Axel Zeppenfeld, Cahiers du Cinéma, Nov. 2008

«Em “Serbis” a política não é uma questão de slogans mas de corpos reais, o que talvez explique porque se desenrola paradoxalmente numa sala de cinema. Os corpos celestiais que povoam os nossos filmes trazem os seus próprios prazeres, claro, iluminando o ecrã como se estivéssemos num sonho. Os corpos neste filme não vêm do céu, mas também não são marionetas num pesadelo concebido cinematograficamente. Não, estes corpos sentem luxúria, desejo, transpiram e lutam com uma veracidade feroz.»

Manohla Dargis, New York Times, Jan. 2009

Prémios e Festivais
Nomeação para a Palma de Ouro, Festival de Cannes, 2008
Golden Kinnaree Award, Bangkok International Film Festival, 2008
Prémio Melhor Actriz Secundária (Gina Pareño) e Nomeação para Melhor Actriz Secundária (Jaclyn Jose), Asian Film Awards (Hong Kong), 2009
Prémios Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Fotografia e Melhor Design de Produção, Gawad Urian Awards, 2009

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Brillante Mendoza fala sobre “Serbis”

19/01/2010 · Deixe um Comentário

“Mas o que é a moralidade, ou mesmo a legalidade, numa sociedade que se compraz numa pobreza abjecta, onde a luta pela sobrevivência está mesmo à frente dos nossos olhos? Na realidade, tudo isto se resume a uma questão económica. (…) Em sentido amplo, “SERBIS” pode querer dizer “SERVIÇO” de qualquer tipo: o serviço que prestamos à nossa própria família; o serviço da família para com os seus membros; o serviço do proprietário do cinema para com os seus clientes; o serviço do cinema para os espectadores; o serviço de um cidadão para a sociedade ou o país; o serviço da sociedade ou do país para os seus cidadãos; os serviços dos homens e das mulheres à humanidade; e por aí fora…”

Brillante Mendoza

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A Imprevisibilidade de Manila

19/01/2010 · Deixe um Comentário

«“Tirador” é um filme de ficção, mas Mendoza tem uma capacidade impressionante para impor uma narrativa calculada à imprevisibilidade constante de Manila, transformando o caos da rua em arte. “Tirador” demonstra o talento rapidamente amadurecido de Mendoza com o cinema digital. Ele tem um olhar de romancista que consegue captar todas as nuances do comportamento humano, especialmente as ironias da ganância e da vaidade.»

Cameron Bailey, Toronto International Film Festival, 2007

Prémios e Festivais
Seleccionado para o Festival de Toronto, 2007
Prémio Especial do Júri, Marrakech International Film Festival, 2007
Caligari Film Award, Berlin International Film Festival, 2008
FIPRESCI/NETPAC Award e Silver Screen Award (para Melhor Realizador Asiático e Melhor Longa-Metragem Asiática), Singapore International Film Festival, 2008
Prémios Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Fotografia, Melhor Som, Melhor Actriz Secundária, Gawad Urian Awards, 2008.

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Brillante Mendoza fala sobre “Tirador”

19/01/2010 · Deixe um Comentário

«“Tirador” é o exemplo perfeito de cinema independente do tipo “guerrilha”: tive controlo total sobre o meu filme, desde a pré-produção, passando pela fotografia, pela pós-produção e até – imaginem – pelo marketing e distribuição, incluindo a exibição em sala. Foi uma experiência de aprendizagem total, e talvez tenha sido um dos meus filmes mais difíceis, senão o mais difícil, em termos logísticos, num país de Terceiro Mundo. Mas “Tirador” reforça a nossa fé naquilo em que temos acreditado: fazer cinema independente é uma forma sensata de dizer a verdade sem reservas; é irrelevante se uma pessoa depois se sente apaziguada ou perturbada.»

Brillante Mendoza

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Da Publicidade ao Cinema

19/01/2010 · Deixe um Comentário

«(…) Brillante Mendoza opera escolhas em “John John”que são completamente opostas ao trabalho promocional que faz em publicidade, onde existe a tendência para enaltecer o seu tema; aqui a abordagem é muito realista. Ainda que realizado com actores profissionais, com um argumento puramente ficcional, o filme parece-se muito mais com um documentário. Depois de um plano de abertura que nos situa (debaixo do céu os edifícios modernos e, ao pé deles, os bairros de lata), em 24 horas, em três cenários diferentes (o bairro de lata, o orfanato, o hotel de luxo), poucas personagens (a antiga e a nova família da criança adoptada, a assistente social), o cineasta acompanha o seu tema e realça aos poucos todos os aspectos sociais. (…) Há pouca ou nenhuma psicologia e apenas uma única sequência emotiva em toda a última parte do filme: a mãe, desestabilizada, num ambiente com o qual não está familiarizada. O filme termina com uma constatação precisa, que não é didáctica nem complacente: são vinte e quatro horas da vida de uma pequena família, numa cidade profundamente marcada pelas diferenças sociais.»

Hubert Niogret, Positif, Fevereiro 2008

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O sucesso de “John John” em Cannes

19/01/2010 · Deixe um Comentário

«“John John”representou um dos mais belos sucessos estruturais do festival de Cannes. É, em primeiro lugar, uma imersão arquitectónica nos meandros de Manila, um labirinto de pobreza infinita; depois, é uma tomada de consciência, tanto para a protagonista como para o espectador; para chegar, enfim, depois das correrias na cidade moderna, à ferida derradeira. (…) Esperamos sinceramente poder seguir a carreira de Brillante Mendoza nas próximas edições do Festival de Cannes.»

Xavier Ehretsmann, Fiches du Cinéma, Junho 2007

Prémios e Festivais
Seleccionado para a Quinzena dos Realizadores (Cannes), 2007
Prémio Melhor Actriz, Cinefan – Festival of Asian and Arab Cinema (India), 2007
Prémio NETPAC – Network for the Promotion of Asian Cinema, Brisbane International Film Festival, 2008
Prémios Melhor Filme e Melhor Actriz, Durban International Film Festival, 2008
Prémio Melhor Actor (Criança), FAMAS Awards, 2008
Prémio Melhor Actriz, Gawad Urian Awards, 2008
Prémio Melhor Actriz Principal, Golden Screen Awards (Filipinas), 2008
SIGNIS (World Catholic Association for Communication) Award, Las Palmas Film Festival, 2008
Prémios Melhor Filme e Melhor Argumento, Young Critics Circle (Filipinas), 2008

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“Lola”, a história sobre um abismo

19/01/2010 · Deixe um Comentário

«A história de “Lola” revela um abismo: a demissão total do Estado perante um assunto de homicídio, uma vez que a justiça propõe que as partes façam um acordo amigável entre si. Mendoza encontra aqui um equilíbrio entre o seu gesto documental (filmando as ruas como se lá estivéssemos, em planos longos, atentos ao vento, à chuva e ao clima global da cidade) e o seu gesto ficcional (muito forte, sem dar os indícios de imediato, mas revelando as coisas a pouco e pouco). Aprendemos neste filme mais sobre o funcionamento político de um Estado do que em qualquer outro.»

Stéphane Delorme, Cahiers du Cinéma, Out. 2009

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Brillante Mendoza fala sobre “Serbis” para o New York Times

14/01/2010 · Deixe um Comentário

«“Serbis” evoca filmes recentes como Goodbye, Dragon Inn, de Tsai Ming-liang, e La chatte aux deux têtes, de Jacques Nolot, que retratam salas de cinema antigas como lugares de rituais comunais (e eróticos). Mas nos filmes de Mendoza, a sala de cinema é também onde a vida do dia-a-dia acontece. O clã Pineda de “Serbis”, encabeçado pela matriarca Nanay Flor, não só gere o cinema mas também o habita – tal como a família que na vida real gere o cinema Família. Mendoza chegou ao ponto de modelar algumas das suas personagens à semelhança dos membros da família que ele conheceu. Nanay Flor põe um processo ao marido por bigamia, como fez a sua correspondente na vida real, segundo conta o realizador. A fechar este círculo, “Serbis” esteve em exibição durante uma semana na sala onde foi rodado. (…) Os espectadores ocidentais, na generalidade, não se escandalizam com “Serbis”, mas muitos ficam desorientados com a agressão sensorial que contém. É um filme em que o som ambiente do trânsito e das conversas periféricas não só está sempre presente como se ouve muito alto. ‘O designer de som estava sempre a dizer que havia demasiado barulho e que tínhamos de falar mais baixo, mas eu recusava-me’, diz Mendoza, acrescentando que não fazia esforço nenhum para que se fizesse silêncio no local de filmagem. ‘Quando jornalistas europeus ou americanos me questionam sobre isso, pergunto-lhes se alguma vez estiveram nessa parte da Ásia. É assim que as coisas se passam. É preciso berrar, porque não se consegue ouvir o que as pessoas dizem. É o som da vida’.»

Dennis Lim, New York Times, Jan. 2009

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